Uma
análise sobre a materialidade e a construção mítica da matéria através da
evolução da comunicação até os dias de hoje. Um artista atual que está ligado
ao tema é Tim Burton, que produziu “A Noiva Cadáver 2005”, foco de análise. Randall Chambers em seu artigo de 2007, Tim Burton’s Advancement of Dark Gothic Art,
(A evolução da arte gótica de Tim Burton), relata sobre sua estética e
temática sombria trabalhada por Tim Burton e relata processos de produção com
“baixo orçamento” em épocas de crise. Não poderia ser melhor para representar e
unir os aspecto “sujo e usado” da matéria, com a arte da animação Stop Motion. O mito está morrendo
junto com a humanidade científica, o discurso religioso se modifica e adapta a
uma estética financiada pela indústria e a mídia, principalmente pelo apelo de
formatos de linguagem como os “enquadramento de câmera americano” e
conceituação estética de antigas obras, como o famoso Drácula. Os rituais
relacionados aos mortos viraram uma banalidade como falar de morte pela televisão
aberta, a mídia sobrevive desta fonte em um formato jornalístico,
principalmente. A fotografia ajudou
nesse distanciamento onde o real e o irreal tomaram significados diferentes e o
cinema foi no novo “pai da realidade”. A transfiguração poética que o cinema, facilita
a aproximação e entendimento do estranho, feio e bizarro. Como cria uma nova
compreensão também, os Zumbis, Vampiros, Múmias e Fantasmas estão sendo
explorados como personagens socialmente aceitos e que “até se apaixonam”. Como
nos antigos contos antes da era cristã que “repudiou-os ao inferno” como
explica John Sanford em “Mal, o lado sombrio da realidade, 1988”.
O
novo pós vida e os mortos novamente ganharam compreensão e aceitação social com
seu apelo forçado pela mídia. Da mesma forma que o que difere um objeto de um
elemento museológico, é o significado que aquele objeto possui e seu valor
relativo, sentimental ou material. A técnica do Stop Motion, uma mescla entre o
cinema e o teatro e arte plástica, dá significados de linguagem cinematográfica
para a matéria morta, personalidade, identidade e emoções simuladas. A
metalinguagem do filme vai muito mais além de dar vida aos mortos mas conseguir
transformar a matéria em algo vivo e eterno.
A palavra Anima em latim, quer dizer alma. Pois aqueles desenhos
em movimento pareciam ter alma própria. É por isso que ainda hoje nós chamamos
de “desenhos animados”, ou seja, desenhos que parecem ter vida, “desenhos com
alma”. (COELHO, Raquel. A Arte Da
Animação. 2000).